domingo, 6 de junho de 2021

Política e Café Torrado | História

A distante fumaça era frequente. Fazia parte da paisagem do interior de São Paulo e do porto de Santos. Mas, naqueles anos que se seguiram a 1929, tornou-se inquietante. O cheiro de café queimado e a fuligem tomavam os ares do Estado e consumiam boa parte de suas grandes fortunas. O clima era de Pânico. Produtores arruinados vendiam suas fazendas e imigrantes enriquecidas e já adaptados ao Brasil. Alguns poucos, mais orgulhosos , mantiveram-se até o fim apegados as suas terras e às suas memórias dos tempos de prosperidade. A crise da oligarquia cafeeira fora detonada com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em outubro de 1929, cujo efeito sobre a economia mundial foi devastador. Na Europa, ocorreram inúmeras falências bancárias e industriais. Os investimentos foram paralisados. Os índices de desemprego e inflação tornaram-se altíssimos . Para os países da América Latina significou o fim da entrada de capitais e a queda em suas exportações. Para a produção cafeeira do Brasil foi o caos. A sistemática defesa dos preços do café pelo governo federal havia favorecido a expansão da cafeicultura , aprofundando , dessa forma , o desequilíbrio entre a oferta e a capacidade de consumo do mercado Mundial. Ao final da década de 1920, a política de valorização do café, com suas constantes desvalorizações cambiais e compras de estoques , chegaria a exaustão. Antes da quebra da Bolsa de Nova York, a supersafra de 28 bilhões de sacas, verificada em 1927, anunciava uma séria crise no setor , amortecida com a compra e estocagem de um terço da produção . Em outubro de 1929, a economia cafeeira entrou em colapso, com a conjugação de uma outra supersafra numa conjuntura de diminuição do consumo no mercado Mundial, de incapacidade financeira do governo para a compra do excedente e de queda brutal no preço do produto. Ao longo de toda a década de 1920, a política de valorização do café acumulou insatisfação . Entre os fazendeiros, alguns reclamavam de favorecimento dos grandes produtores e de corrupção . Apesar de aliados, cafeicultores de outros estados ressentiam-se do maior apoio recebido pela produção paulista. Os demais setores oligárquica questionavam a preponderância do café na economia nacional.