terça-feira, 8 de junho de 2021

O Congresso Nacional e Oligarquias

 Empossado em 3 de novembro de 1930, Vargas assumiu o compromisso de convocar uma Assembleia constituinte , a fim de elaborar uma nova Constituição para o Brasil. No entanto, os "tenentes" , organizados no Clube 3 de Outubro, procuravam prolongar o governo provisório , com o objetivo de enfraquecer o poder regional no Brasil e consolidar suas posições políticas . Com Getúlio Vargas , os tenentes viam a possibilidade de estabelecer um Estado forte e centralizado no Brasil. Um velho projeto acalentado desde o final do século passado por grande parte do Exército . Os descontentamentos logo se transformaram em clara oposição. As Oligarquias regionais exigiam o restabelecimento do jogo parlamentar. Antigos aliados ergueram-se contra o governo e exigiram a convocação da Constituinte e o fim do governo provisório . A maior parte dos Estados do Norte-Nordeste, Minas Gerais e até mesmo o Rio Grande do Sul, terra de Vargas, voltaram-se contra o presidente. Mas o principal foco de oposição residia em São Paulo. A chamada Revolução Constitucionalista de 1932, derrotada em menos de três meses , era indicativa das dificuldades políticas daquele momento. Apesar de contar com simpatias entre oligarquias de várias partes do pais, os paulistas ficaram isolados. Nenhum grupo de arriscou nem viu perspectivas de sucesso na destituição de Vargas e numa nova aliança com São Paulo. Por outro lado, apesar de derrotados, os paulistas obtiveram concessões do governo federal , que visava com isso diminuir sua oposição a Getúlio , como a nomeação de Armando de Sales Oliveira, ligado ao Partido Democrático (PD) , como interventor , e a criação da Universidade de São Paulo , em grupos à esquerda e à direita. Mais uma vez, vale insistir , nenhuma força sociopolítica tinha condições de impor-se ao Brasil de forma hegemônica . A solução foi uma espécie de pacto político ou compromisso entre os vários grupos dominantes . Enquanto isso, Vargas ganhava terreno. As oligarquias, sem condições de afastar Vargas e os militares que o cercavam, fossem das Forças Armadas ou do tenentismo, acabaram por aceitar sua direção. Ao mesmo tempo, a maioria dos tenentes era colorada pelo jogo político dos grupos regionais, enfraquecendo as propostas reformadora para o mundo rural. Começava a se delinear o compromisso entre o governo central e as oligarquias regionais: fortalecimento do Executivo , direção política de Vargas a manutenção das relações sociais no campo, ou seja, do latifúndio, da exploração da mão-de-obra livre e da prepotência da burguesia rural brasileira.